27 de setembro de 2010

Devaneio: Natureza

Eu não sei se é legal explicar o título, mas é muito mais uma natureza humana.
Acho que meu devaneio preferido. Se bem que eu começo a pensar que todos os meus mais recentes são preferidos. ^_^'
Amar o presente é muito melhor que saudar o passado. Menos mal pra mim.
Enfim, aí vai

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João Tavares

Natureza



Nessas montanhas o frio parece ser eterno. Vez ou outra, muito raramente acontece de o sol bater na neve e amolecê-la um pouco, muito pouco. É aqui que vivo e aqui que quero morrer. Já morei na cidade grande, em meio às ruas e ao trânsito violento. Não é aquilo que eu queria, mas quando vim para as montanhas me surpreendi com minha mente. Achei que quando mudasse de lugar eu continuaria sendo o mesmo. Mas não sou. Aquele eu que existia na cidade parece ter se moldado para o ambiente. Era muito mais agressivo, mais energético, mais ativo, de um modo geral. Quando cheguei aqui, nas montanhas, na paz, no frio, no barulho dos pássaros, descobri que eu era outro. Ou que me tornara outro. Sempre ouvi falar em pessoas que mudavam-se e se descobriam, mas agora eu paro pra pensar se são elas que se descobrem ou se mudam conforme o ambiente. Estou certo que é a segunda opção. Isso quer dizer que se eu virasse general, seria perverso, se fosse padre, seria humano e se fosse animal, seria selvagem. Mas assim sendo por que existiram generais piedosos, padres cruéis e lobos dóceis? Existe então algo que esteja dentro das minha características e fora da minha natureza óbvia? Pode ser que eu “me encontrasse” mesmo que estivesse morando no vidro e no asfalto? 


João Tavares
Joaotavares.abcd@gmail.com

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