Aproveitando o tempinho livre, vou postar mais um micro-conto.
Acho que em qualidade literária ele é tão pobre que eu vou perder algum possível leitor com ele, mas eu não posso me ignorar. A inspiração e a vontade de escrever desse jeito me trouxeram aqui e eu não posso me selecionar dessa forma, já que aqui é para ser um lugar de extrema liberdade artística. Bom, aí vai =D
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João Tavares.
Recorte
Os reflexos da luz espalhavam brilho e dança na parede. O casal embaixo da árvore parecia destacado da multidão uniforme ao seu redor, como um recorte monocromático no colorido desbotado. Ele a segurava pela cintura e ela envolta em seu pescoço.
- Eu tava pensando. . . faz quanto tempo que a gente tá aqui?
- Menor ideia.
- Estranho. Parece pouco. . .
- Ou parece muito. . .
- Pode ser. . .
- Não importa, importa?
- Talvez. . . Eu só reparava em como esse universo é paralelo.
- Lá vem você. . .
- É sério! Não parece que o mundo é diferente quando a gente tá junto?
- Eu sei, eu sei, mas pensar essas coisas estraga.
- Mas. . .
- Tá vendo como seu olhar se perde? Tá vendo como você já parece triste? Por que você tem que pensar tanto, perguntar tanto?
- Eu. . .
- Assim é melhor. Só me abraça. . .
João Tavares
02.03.2010
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